Cookies

De 2010 a 2014, o mercado de cookies mais do que dobrou em volume. E, mesmo com a crise, o consumidor não tirou o produto do carrinho de compras

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O pequeno biscoito achatado com gotas de chocolate surgido na Europa e idolatrado nos Estados Unidos tem também aguçado o paladar dos brasileiros. Apesar de o cookie não ser o segmento mais importante dentro da categoria biscoitos os recheados ainda lideram a preferência dos shoppers ele vem se desenvolvendo e abocanhando, aos poucos, fatias desse mercado. Segundo a Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas alimentícias e Pães e Bolos industrializados), as vendas de cookies tiveram alta de 275% em valor entre 2010 e 2014. Em volume, o aumento foi de 190% no mesmo período. “Mesmo diante da crise, as pessoas continuam consumindo o produto. O que tem mudado é o hábito de compra. O shopper escolhe uma embalagem menor ou troca de marca. Mas não tem deixado de colocar o item no carrinho de compra”, explica Claudio Zanão, presidente da entidade.

Estudo recente da Kantar Worldpanel, de julho de 2014 a junho de 2015, revela que a categoria está presente em 37% dos lares brasileiros. Houve um aumento de 22% no número de domicílios que compram o produto de um ano para o outro. Para Fernanda Frigo, executiva de contas da Kantar Worldpanel, um dos motivos para a alta pode ser o fato de o cookie ter menos chocolate do que um biscoito recheado. Assim, é possível que o consumidor acredite estar consumindo menos gordura. Soma-se a isso aspectos como ser um produto diferenciado no mercado brasileiro e ter apelo à indulgência, além da questão da saudabilidade, no caso dos integrais. “Essa versão cresce tanto quanto os cookies sabor chocolate”, explica a executiva.

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Segundo Marcela Mariano, diretora da categoria de biscoitos da PepsiCo Brasil – que atua no segmento de cookies com as marcas Toddy e Quaker –, os itens saudáveis apresentam maior representatividade no mercado. Portanto, ações nas lojas para incentivar a compra desse segmento resultam em bom retorno de vendas. Outra empresa que aposta na linha de saudáveis é a Jasmine, que trabalha com versões integral, diet, light, orgânico e sem glúten.

A empresa registrou aumento de 25% no ano passado, conforme Damian Allain, diretor de mercado da fabricante. Para 2015, a companhia espera crescer em torno de 20%, impulsionada pelo lançamento de novos produtos. E, em 2016, está prevista a inauguração de uma nova unidade fabril em Campina Grande do Sul (PR).

Já a Schär Brasil foca seu portfólio na linha sem glúten. Segundo Ticiana Menezes, diretora comercial da empresa, é importante oferecer variedade de biscoitos para o consumidor, de acordo com sua necessidade e gosto. A empresa pretende fechar o ano com crescimento de vendas em torno de 20% em relação ao ano passado. Quem também está otimista é a Grings Alimentos. A perspectiva é de que os cookies representem neste ano 10% da venda total. “Estamos focando quatro sabores em um mix de 80 itens”, conta Rodrigo Teodoro Contini, gerente de vendas da fornecedora. Mais uma companhia que espera expansão na categoria é a Vitao Alimentos. A expectativa é de que os cookies integrais cresçam 11,5%.

Para atrair novos consumidores, o ideal é ter no mix embalagens menores de cookies, pois servem como porta de entrada para a categoria. “Versões com até 150 g têm menor desembolso, o que favorece a experimentação, ainda mais no atual momento econômico. Além disso, a embalagem menor também pode ser tratada como snack, opção de alimentação fora do lar”, explica Fernanda Gomes, gerente de atendimento da Nielsen.

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Dados da consultoria apontam que o tíquete médio por compra na categoria atingiu R$ 4,91 entre agosto de 2014 e o mesmo mês deste ano. Para Tarley Maia Kotsifas, presidente da Rede Bom Dia, 35 lojas na região de Maringá (PR), consumidores de todas as classes sociais consomem cookies. Desde que esses biscoitos entraram no sortimento no ano passado, houve um aumento de 30% das vendas. “Tanto que já aumentamos o espaço na gôndola”, diz. Ele explica que, quando é feita alguma negociação com o fornecedor para reduzir o preço, o espaço de exposição cresce até 20%. Para acomodar o maior número de mercadorias, a empresa retira das gôndolas itens que têm menores vendas.

Quem também comemora os resultados dos cookies é Diego Cicconato, coordenador de Inteligência de Mercado da rede Pague Menos, com 20 lojas no interior de São Paulo. “As vendas desses produtos vêm crescendo acima de 30% ao ano. O segmento tem atraído novos clientes e aumentado o tiquete médio da categoria inteira de biscoitos”, afirma Cicconato. Ele conta que, em função do sucesso do produto, houve uma ampliação de 35% do espaço em gôndola para acomodar os cookies. “As versões integral/sem glúten também mereceram destaque na prateleira”, conta o executivo. Para destacar o produto, a rede paulista adequou os espaços de outros itens de acordo com o percentual de participação nas vendas. Alguns itens de biscoitos e de produtos naturais com menor saída foram excluídos do sortimento.

A expectativa é de que as vendas de cookies continuem em alta. Aproveite esse mercado em expansão e aposte nesses biscoitinhos que, na verdade, nasceram de um acidente na cozinha. É o famoso erro que dá certo.

Fonte: Supermercado Moderno – www.supermercadomoderno.com.br

Categoria tem potencial de crescimento

  • 37% percentual de lares em que a categoria está presente (julho 2014 a junho 2015) / 22% alta na presença nos lares do País (julho 2014 a junho 2015) [Fonte: Kantar Worldpanel]
  • R$ 4,9 ticket médio em cada compra na categoria (agosto 2014 a agosto 2015) [Fonte: Nielsen]
  • Supermercados apostam nos cookies / 35% foi quanto a Rede Pague Menos (SP) aumentou o espaço de exposição de cookies na gôndola / 25% é a previsão de alta nas vendas do produto no Pague Menos para 2015 / 30% é o aumento das vendas de cookies no último ano na Rede Bom Dia (PR) [Fonte: Empresas]